domingo, 18 de junho de 2017

De Itália V

Ravenna

Pequena, surpreendeu pela riqueza história e arquitectónica.
Visita-se facilmente, de modo rápido mas maravilha. É a capital do mosaico e, entre igrejas e túmulos romanos decorados, senti-me numa outra era. Uma Era de Ouro.
Recomendo! É também onde está enterrado Dante e mesmo ao lado do seu mausoléu há um museu da memória Dantesca girissimo.



Sempre na rota dele!




Túmulo de Dante

Parma

Igualmente me surpreendeu pelo espólio artistico. Ao que parece a esposa de Napoleão viveu lá várias décadas, existindo um museu com todos os seus pertences.
O que mais impresiona é o Museu de Arte dentro do Palácio Pilota. Tem grandes obras, um DaVinci original e um teatro em madeira monumental.
E a comida? Dos sítios onde comi melhor e a bom preço!




Beringelas à Parmegginana! Uma delicia! 

Sempre Ele! Garibaldi 

 Pavia

O único sitio onde me esqueci de comprar um iman para o frigorifico... bolas!
Também é uma cidade pequena, recatada, nebulosa e mais triste. Não me pareceu muito preparada para o turismo.



Sabedoria pelas ruas

Bolonha

O pesadelo! Lembro-me de Gonçalo Cadilhe a definir como a cidade italiana com mais qualidade de vida. Não o entendo!
A cidade é toda laranja. Prédios, igrejas, pessoas... tudo é alanrajado!
E há uma pobreza impressionante! Há pedintes em cada esquina. E não me refiro aos típicos emigrantes em busca de oportunidades. Refiro-me a mães de familia italianas, com fotos dos seus filhos, da Nossa Senhora e cheias de lágrimas.
Havia também muitos rapazes a pedir com os seus cães.
Senti um choque de realidade, senti-me mal do principio ao fim e só conseguia pensar em sair dali.
Não volto nunca mais!
A única coisa interessante foi a exposição comemorativa do Corto Maltese, grande e brilhante, que tive a oportunidade de ver. De resto, não explorei muito Bolonha devido ao estado das pessoas que fui encontrando e que, não podendo fazer muito mais do que dar dinheiro a algumas, me foi deprimindo. Quase que me senti culpada de, felizmente, ter emprego e uma casa. Que choque!


Pela Liberdade! 


Verona

A suposta terra de Romeu e Julieta, com a casa onde teria vivido a bela dama e com uma tradição meio esquesita que não cheguei a apurar porque se fazia: no pátea existe a estátua da Julieta e diz que dá boa sorte esfregar-lhe uma das mamas. Não entendi mas a fila para tal parvoíce era grande! Eu cá não me meti nela.
É uma cidade simpática e tive a agradável surpresa de lá encontrar uma exposição sobre os Maias vinda do Museu Nacional Mexicano.
Como todas as cidades no Norte, Verona é atravessada por um rio, o que potencia espaços agradaveis para tomar um copo e muita gente nas ruas.


Todos juntos podemos ajudar!

Leiam ESTE texto e entendam, consoante a localidade em que vivem, como podem ajudar.
As garrafas de água pequenas custam em muitos sítios 0,08 ou 0,09 centimos. Um caixa de 10 compressas custa 1€. Uma caixa com 6 barrinhas energéticas custa tambem 1€. Por isso não há desculpas. Se todos dermos 1€ a esta causa, tornaremos a ajuda enorme, sem precedentes.
Bora pessoal!
Eu vou tratar disso ainda esta semana!

PS: Nem consigo imaginar o horror que é morrer queimada viva, presa num carro, na estrada. A impotencia, a dor, a angustia... as fotos que vi hoje são impressionantes. Ninguém merece e nem parece um cenário digno de um país desenvolvido.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Da adrenalina

A banda sonora do anterior post foi para...

                                                                                                 isto!

Eu tenho a sorte de ter aquela amiga à qual tu diriges a frase "E se nós...?" e nem precisas terminá-la, pois ela já está de pé a dizer "Bora!".
E ela decidiu convencer-me a fazer já, agora, em beve, uma daquelas coisas que sempre disse "Um dia gostava de...".
Porque com ela, "um dia" é sempre hoje.
Digo-vos que custa mais aqueles corróceis marados das feiras do que isto. Nos carroceis sentes o estomago a revolver-se, o balanço desenfreado, as costas pegadas ao assento, um espaço entre a proteção e o peito e aquele terror de que alguma falha humana vá provocar uma queda e morte dolorosas. Aqui não. O salto é tão suave, é um "deixar cair", fluir... não sentes nada no estomago, apenas voas. O vento sim é do caraças e quando vês o video / fotos sentes-te um idoso cheio de peles flácidas. Aliás, não consegui fechar a boca em nenhum momento, o labio superior voou e... pareço um cavalo em todas as fotos!
Aos poucos que tive coragem de mostrar o video, choraram a rir com a minha humilhação.
Sinceramente, não fosse tão caro e saltaria todos os dias!

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Como nunca tinha reparado?!?

Imagine Dragons...
Banda da moda, com musicas conhecidas, daquelas que vão passando mil vezes ao dia na rádio e vamos absorvendo sem nem reparar.
No outro dia, andava eu no Supermercado quando uma música que nunca antes tinha ouvido me soou. Adorei a letra, o ritmo mas nunca a tinha ouvido. A voz do vocalista não me lembrava a ninguém.
Ontem por acaso, enquanto pesquisava no Google por músicas com letras fortes, encontrei-a! E é dos Imagina Dragons.
1h de pesquisa depois, descobri que o vocalista é um tipo admiravel, com composições poderosas, genuinas e directas.
Definitivamente será esta a banda sonora para o video de amanhã!
Que video?... Domingo falamos! Bom fim-de-semana, pessoal!
Se eu sobreviver...

"I'm the master of my sea"

Cenas!


Acabou o estágio.
E não da forma que deveria ter acabado.
Desisti.
Tinha de ter as horas todas feitas até dia 31 de Maio e ainda me faltam bastantes.
Ainda por cima, a orientadora decidiu tentar "comprar-me", propondo assinar-me as horas, mentir, dizer que as tinha feito se... SE eu fosse um ultimo mês de forma intensiva, sem faltar nunca e ficando responsavel de um projecto social que, digamos, me parece que de social tem pouco e é uma escravatura disfarçada de caridade.
Entre garantir uma nota e explorar pessoas alegando que lhes estou a fazer um favor e a cuidar delas, preferi chumbar! Informei a faculdade, tanto da minha falha como daquilo que a Instituição me tinha proposto. Eticamente não o farei. Prefiro assumir as consequencias.
Agora falta saber se isto significa mais 1 ano em Lisboa e a pagar propinas.
Curiosamente não entrei em stress. Aceitei. A vida continua, as coisas acontecem para além de nós. Melhor aceitar e lidar o melhor possivel.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Dia "DAQUELES"

Tenho andado meio desmotivada com o estágio. A orientadora tem um super ego, é muito ocupada e não me sinto minimamente "orientada". Contudo, hoje foi um bom dia.
Conheci um ex utente, um africano cheio de garra que deu a volta por cima e, como ele bem diz, sem a ajuda de nenhuma Assistente Social. Arriscou, viu e venceu! A história de vida dele motivou-me, ajudou-me a entender que tudo é possivel e que posso fazer a diferença sim num mundo de técnicos "Sr. Doutores" com nojo de ir para o terreno e deixar os seus papeis por preencher.
Foi um dia tranquilo mas inspirador.
Para terminar, percebi que já pertenço um pouco a esta Lisboa que tanto renego. Tentei ir à mercearia, que basicamente é a 2min da minha casa. Demorei 2h para lá chegar graças às pessoas que ia encontrando e com as quais ia falando. Entendi que já sou conhecida no bairro, o sr do café já sabe o que peço todos os dias, o sr da churrasqueira já me deixa o frango pronto a levar com aquele molho que eu mais gosto, o dono daquele cão que eu acho bonito já o solta quando me vê porque sabe que eu adoro animais e o cão adora saltar-me para cima... detalhes que tornam a vida mais bonita e os dias mais luminosos.
E o melhor, melhor? Ter aquele empregado de mesa velhote, a dizer que me admira pela vida que levo, pelas atitudes que observa, pelos valores que lhe transmito. AHHHH! Coração cheio!

Do facto de ser a única portuguesa...

... no meu trabalho.
Ter de aturar "nuestros hermanos" e América Latina em geral a dizer durante uma semana, que o nosso Salvador só ganhou por caridade, porque todos pensam que ele é um coitadinho deficiente com aqueles jeitos e manias ao cantar e que a música é triste como os tugas, sem cor como os tugas, etc e tal.
Ok, até aceito o 1º argumento. Eu própria pensei nisso a primeira vez que vi o Salvador. Convenhamos que parece um menino "especial" com inúmeros atrasos cognitivos. Mas independentemente disso, a letra é linda, a melodia mágica, e ele emana sentimento, tanto sentimento. A sua qualidade como artista, com ou sem atrasos, é inegavel! Cambada de invejosos!

PS: se até a minha colega de casa, Venezuelana, que entende pouco de português, se sentou no chão, calada e arrepiada a primeira vez que viu e ouviu o Salvador, acho que está tudo explicado.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Diz que é só um fenómeno breve

Quando era pequena adorava o Fertival da Eurovisão. Achava piada àquilo.
Depois fui-me desligando. Mas ontem tive de voltar àqueles momentos de infancia, sentada no chão da sala, a ver o que cada país tinha para nos mostrar. Sem surpresas, todos apostaram em coisas modernaças, em ingles, com muitas componentes electronicas. Só a Belgica e a Finlandia tinham musicas bonitas, em vozes femininas suaves.
Mas nós... uff! Os únicos a cantar em lingua materna. E digam-me o que disserem, ninguém se expressa de modo tão sincero como na sua lingua mãe. Desde que trabalho numa empresa internacional onde NUNCA, em nem 1min do dia falo português que sinto finalmente esta coisa da alma lusitana, reparo como nunca antes na beleza da nossa lingua, da nossa comida, da nossa expressividade.
Ganhamos pelo sentimento, pelos violinos, por sermos um momento de pausa naquele aparato ruidoso e cheio de luzes. Fomos o alentejo no meio de Lisboa.
E quando vejo a minha colega de casa, Venezuelana, que nem metade das palavras entende, a meter o seu Enrique Iglesias em pausa e a sentar-se comigo no chão da sala, em silencio, arrepiada a ouvir o Salvador, ficou claro que iamos passar à final.
Hoje dizia-me uma amiga que ele é um fenomeno que vai passar. Talvez. Mas acho ao contrário dele não acho que ele seja agora famoso pelo Festival e já está. Acho que é famoso pela conjugação entre a sua voz doce e os tiques inesperados e esquesitos com o talento inegavel da irmã. Porque o Cd dele a sós, já o ouvi e não me pareceu minimamente interessante. Insisto que o que o salvou foi a grande composição de Luisa.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Uma lufada de alivio

Eu acredito que mais dia menos dia, as extremas direitas e os nacionalismos exacerbados vão voltar ao poder. E de forma democratica, ou seja, eleitos pelo povo. Tudo potenciado pelo medo. Foi assim com Hitler, será assim no futuro. E achei mesmo que seria desta...
Fiquei muito feliz ao saber da vitoria do Macron.
Mas confesso que esta imagem que anda a circular na net resume bem a minha verdade:


Eu não sei bem que defende Macron ao intitular-se centrista nem que ideias de politica tem. Muito menos me importa o que os outros governantes andam a dizer, de que ele marca a vitória da UE, de que ele é um simbolo pró-Europa, etc e tal. Isso não sei nem me interessa. Interessa-me que ganhou àquele monstro Le Pen. Interessa-me que ganhou sobre pessoas como aquele meu colega de trabalho que há dias escrevia numa rede social "Quem vota contra Le Pen são ignorantes aos quais os terroristas agredecem". Interessa-me que no meio do medo, ainda haja quem pense para lá do ódio.

sábado, 6 de maio de 2017

E o prémio de melhor colega de casa vai para...

... a minha roomie, chamemos-lhe Van!
Desde que me mudei em outubro que nunca vos contei como está a ser a experiencia. Decidi dividir casa com uma colega de trabalho venezuelana. Poderia ter corrido muito mal. Já vivi com amigos e a convivencia melindrou bastante a amizade. Quanto mais uma colega de trabalho que mal conhecia!
Contudo, foi e está a ser uma incrivel surpresa. Somos do mesmo signo, fazemos anos com 2 dias de diferença. Ela é mais velha do que eu 1 ano. Ela nunca tinha tido animais e, com uma paciencia admiravel perante 2 meses de ataques do Eros que inclusive lhe vomitava no quarto de proposito, caiu apaixonada por esta fera terrivel. E, diga-se de passagem e para meus grandes ciumes, actualmente o Eros ama-la. O mes passado os gatos partiram-lhe o computador e ela nem os matou. Nem a mim. Ufa...
Ela é lutadora profissional, super deportista. Eu sou uma pequena lontra. Ela limpa, eu cozinho. Ela fala alto, eu baixo. Contudo, não sei como, somos amas frontais, falamos na hora e na cara e com bom tom quando algo nos incomoda e tornamo-nos a familia uma da outra. Eu que nunca tive familia, sinto pela primeira vez que tenho uma. Ela que está só no nosso país, insiste em dizer que sou sua irmã. Apoiamo-nos, vou assistir às suas lutas, ela pede-me que traga patés para "os nossos meninos". No Natal até lhes ofereceu uma caixa de areia nova.
Já sem mãe, todos os dias fala com o pai e o irmão que estão na Venezuela e no outro dia dizia este último, enquanto comentava algo embraçoso e muito privado, "Ah que se lixe! A Raven já é da familia!". E eu fiquei ultra derretida.
Passados 7 meses, continuamos a viver juntas sem nenhuma discussão, continuamos a ser colegas de trabalho e cada vez mais amigas. Não poderia estar a correr melhor!

quinta-feira, 4 de maio de 2017

De Itália IV

Bérgamo

Nesta viagem encontrei uma cidade surpreendente que nem sabia existir. Bem perto de Milão, a 30min de comboio, ergue-se a bela Bergamo, dividida em Cidade Alta e Cidade Baixa. Ou seja, tem um centro histórico bonito, cheio de arte e jóias de arquitectura no cimo de um monte, rodeado de muralhas e em baixo prosegue o resto da cidade, mais moderna. Entre a parte baixa e alta há infindáveis encostas, verdes, com casas de pedra, caminhos pedestres incriveis, moradores simpáticos, muitos deportistas e um que outro mosteiro isolado.
As pessoas são muito afáveis, prestáveis e o que mais me impressionou é que não existe pobreza. Ou pelo menos de forma gritante. Em 3 dias que aqui fiquei vi 3 pessoas a pedir dinheiro, todas oriundas de países não europeus.
O mais me agradou foi verificar que todos têm animais, tratados com respeito. Vi até este anuncio na porta de uma farmácia:



Traduzido seria, "Aqui posso entrar e ainda me dão um biscoito".
Não sei explicar o que senti. Mas desde que cheguei a esta cidade que me senti muito bem, como se pertencesse ali. Dormi como há muito não o fazia, até o ar me fazia respirar melhor, sentir-me mais leve. Fiquei rendida. Só consigo pensar que quero viver ali!










Experimentei Polenta. Odiei!




Milão
 
O dia do meu aniversário foi passado aqui.
Comecei o dia a madrugar para tentar ver a Última Ceia de DaVinci. Vi e de facto, impressiona.
A catedral tambem é incrivel, sobretudo a nivel de escultura.
No entanto, Milão pareceu-me uma cidade muito moderna, industrializada, rapida. Não me cativou tanto. Ainda que os transportes funcionem excepcionalmente bem.




sexta-feira, 14 de abril de 2017

Sobre o penúltimo post

Entendemos que a própria sociedade pressiona as mulheres e não lhe confere nenhum outro talento ou destino se não a maternidade, quando em todas as novelas e desenhos animados, o final é pautado pelo principe, o vestido longo, bonito e futil, o casamento e o bebe.
Neste sentido adorei ver o final da novela da SIC, Sassaricando, onde a personagem Camila, uma fotografa que leva muito a sério a sua carreira, o seu desejo de viver sozinha no seu apartamento, desligada de afectos familiares, termina com o seu namorado (enfim, a questão do amor sempre, o que até torna "bonitinha" a historia, confesso... quem não gosta de sentir borboletas no estomago?) mas sem casar. Acede ja depois de muito tempo a viver junta e lá pondera, por ele, numa cedencia equilibrada e madura, adoptar uma criancinha com uns 6 / 7 anos. E na última cena comenta outra personagem "Ela mudou mas não deixou de ser ela. Jamais teria paciencia para uma gravidez". E eu amei!! Amei! Um final feliz diferente, com uma mulher que tendo até cedido por amor, não perdeu aquilo que a caracterizava. E o seu par romantico mudou também e abriu mão da igreja, do filho biologico, pela mulher que ama como ela de facto é.
Por mais finais assim e por mais pessoas assim, reais, perto de nós, que nos aceitem e amem de modo equilibrado.

Lisboa Fit VI

Acrescentei à dieta os sumos detox.
Se emagrecem, secam e desinxam como prometem... não sei!
Mas para já, sendo o 2º dia, a verdade é que vou muito mais vezes ao wc e só estou a tomar 1 em jejum. Acho que vou passar para dois.
O que estou a tomar é:
- 100ml de água de côco
- 2 maças
- sumo de 1 limão
- Meia cenoura
- uma folha grande de couve lombarda

Vou tentar começar a fazer outro à ceia, com outras frutas e sementes.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Estigma e tabu, sim!

Parabens pelo projecto, vou querer assistir quando sair.
Porque ainda é sim um tabu e, sobretudo, quase um estigma. Quem me conhece sabe que nunca quis ser mãe nem me identifico e há sempre aquele "olhar de lado", aquele carimbo de "egoista" quando o afirmo. Mais jovem havia sempre a sentença "não sabes o que dizes! Todas nascemos para isso! Com o tempo vais entender". Foi preciso chegar aos quase 30 para que um familiar admitisse "Bom, de facto acho que és assim e nunca vais querer a maternidade na tua vida".
Lembro-me, em pequena, de quando as minhas Barbies adotavam as Shellys. Lembro-me de dizer, ao brincar com o meu Nenuco, que ele era adoptado. Desde sempre recordo do choque que era para mim ver uma grávida, uma pessoa dentro de uma pessoa e nunca ter conseguido tocar na barriga de uma. E isto prolongou-se.
Não afirmo que NUNCA serei mãe. Seria uma ignorancia tremenda. Não posso adivinhar o futuro mas arrisco-me a dizer que sinto quase a certeza que nunca serei. Porque no meu caso a questão é mesmo muito clara: não gosto de crianças. Não sei lidar com elas, não me sinto confortavel perto delas. Logo, não quero ter uma minha. Também me faz confusão a gestação, evito grávidas.
Com isto não significa que maltrate criancinhas ou que seja a bruxa da Bela Adormecida! Mas sei, bem dentro de mim e desde sempre, que não quero um bébe. Amo pagar bilhetes de avião e não fraldas; estou plenamente apaixonada pelos meus gatinhos; quero ser a tia porreira que aparece no verão para levar os putos (já crescidinhos) à praia.
Eu sou madrinha e, modéstia à parte, a melhor. Tenho uma afilhada de 11 anos com a qual mantenho desde sempre uma relação de amizade, confidencia e muito amor. Todos os verões tiro 1 semana de férias para ela, para fazermos o que ela decidir. Ela conta-me nas suas paixonetas, levo-a de compras, incentivo-a a sonhar. Mas, ainda assim, não quero uma princesa destas para mim. Nunca quis.
A mulher é um ser como outro qualquer com ambições e sonhos que nem sempre passam por dar uso ao útero. Chega de diminuir a mulher a esta imagem de reprodutora da semente do homem!

Precisam de mais provas?

AQUI

História deliciosa entre um idoso sem esperança e um gatinho gorducho.
A evidencia que os felinos são mesmo mágicos, espirituais e maravilhosos.
Eu certamente não seria feliz sem os meus 2 rapazes.




quarta-feira, 12 de abril de 2017

Lisboa fit V




Bolas!
Tudo começou com uma pizza na 6f por ser 6f. E prolongou-se fim-de-semana adentro com encontros com as amigas, paella, mais batatas fritas, crepes, gelados...
portanto a dieta que diz que podemos ter 1 dia da desgraça a cada 6, teve 4 dias de desgraça seguidos com dieta interrompida. Terça-feira que me deveria ter pesado após 2 semanas de dieta, preferi nem fazê-lo. Não quero encarar a verdade e desmotivar. Vou esperar mais uma semana antes de me pesar.

Pós Doc em amizade

Foi assim que comecei a semana:


Na Foz do Arelho, à beira mar, a comer um belo gelado, a beber um ginger alle e a sorrir, a abraçar as amigas e a discutir sobre como nos sentimos a chegar aos 30.
Pensei que fosse mais dificil ver a minha amiga doente, sem cabelo. Mas não. Ela recebeu-nos tão feliz, com um sorriso tão luminoso que nem foi possivel pensar em coisas tristes. Chegamos e ela saiu do carro correndo para nós; envolvemo-nos num mega abraço triplo e até um simpatico senhor que passou por nós disse "Isso! Amem-se! É para isso que vivemos!".
Ela está a encarar tudo de forma tão leve, fazendo piadas sobre a sua nova carequinha. Que orgulho na grande mulher que é!
Ali estavamos as 3, 10 anos depois de nos termos conhecido da Universidade. Ela com 32 anos, a nossa loiraça com 29 e eu com 28. Ela com cancro, a loiraça ainda em casa dos pais a questionar muitas das suas opções, da vida e eu... mais gordinha, na capital, a questionar tambem muita coisa. Ali estavamos 10 anos depois, a amizade que sobreviveu, evoluiu, uma irmandade verdadeira, a planearmos o verão cheio de eventos culturais, encaixando na agenda as sessões de quimio. Ela lembrando o aborto que sofreu, a relação de merda que tem mas ainda assim mantem por medo, medo da idade, da doença, de não vir a ser mãe. A nossa loira perdida como sempre, sem saber que esperar do futuro. E eu... cada vez mais segura que essa coisa da maternidade não será para mim. E dizia-nos ela, "Aos 30 sentimos que devemos escolher um de dois rumos: apostar na carreira, arriscar nesta crise, viajar e ser livres mas, por conseguinte, sermos sós. Ou escolher alguém, leva-lo a sério e pensar em bebes. Voces não sei mas eu sinto essa pressão de escolher e sei que preciso ser mãe para ser feliz. Não quero ser culta e viajada sem isso. Prefiro pagar fraldas que bilhetes de avião. Não quero ficar só com a minha cultura, ver os amigos casados e eu com um sofá vazio cheia de livros inuteis".
Eu sei que esta pressão, social e pessoal, existe. A minha familia até há bem pouco tempo exercia-a fortemente sobre mim. E alguns ainda tentam. Contudo, desde que fiz 25 que ganhei outra segurança. Entrar naquela metade que já ruma aos 30 fez-me sentir que tinha legitimidade para ser eu mesma sem que alguém o desvalorize dizendo "Ah espera mais uns anos e vais ver que vais querer / dar-me razão / deixar de ver tudo tão positivo". E agora com 28 ainda mais tenho essa certeza. Pensando na questão que a minha amiga me colocou, imagino-me mais no primeiro caminho, o da carreira e viagens. Claro que sempre ouvi dizer e até concordo que o preço a pagar pela liberdade é a solidão. Sei disso. Mas também sei que o futuro é surpreendente e no próximo mês posso-me apaixonar como nunca e puff! Olá relogio biologico! Claro que não acredito que isso aconteça mas a verdade é que a vida é magica, inesperada. Posso morrer atropelada amanhã, posso ser mãe no próximo ano ou posso chegar aos 40 a viver no Japão e com 7 gatos. Não sei nem sinto pressão de saber. Se há coisa que aprendi com o reiki e a meditação foi a viver no aqui e agora. Agora estou em Lisboa, tenho o meu adorado emprego, voltei a estudar, estou a estagiar, tenho bons amigos. Amanhã logo se vê. Esta postura pode dar nervos aos mais disciplinados e metodicos mas a verdade é que eu me tornei muito mais feliz desde que deixei de planear.

domingo, 9 de abril de 2017

E é mais disto...

AQUI

Dizia uma amiga, "Cá para mim, tanto o atentado de Londres como o da Suécia foram planos mal sucedidos feitos por individuais perdidos na vida. Mataram tão pouca gente!".
Pois eu discordo. Eu acho que o objectivo maior destes loucos é disseminar o medo na Europa e isso, minha gente, estão a conseguir. Se a Noruega não tem sorte, era outro atentado com 24h de intervalo.
Não interessa se morrem 2 pessoas ou 300. Interessa que se todos entendemos que o metro pode rebentar, que um carro pode vir na nossa direção desgovernado em capitais distintas todos os dias, então entendemos a nossa fragilidade perante estes demónios e eles sentem o poder.
Definitivamente, estou a viver numa capital na pior altura. Pessoalmente, vou evitar o Cais Sodré todas as manhãs.

Lisboa fit IV

NOTICIA AQUI

Desde que iniciei a dieta, há 13 dias exactamente, bebi 1 ice tea.
De resto só água.
Há que ganhar bons e novos hábitos.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Lisboa fit III

Dia 11 da dieta.
Até ao momento:
- muita dificuldade em beber mais de 1l de água por dia.
- 7 dias de depuralina
- 2 tratamentos feitos de infra vermelhos e drenagem para a celulite numa clinica estética
- mais de 1 mês de ginásio (só que a agenda só permite 1x por semana, 2x com sorte)

Quebras na dieta em 11 dias (que também sou humana, gente!):

- 1 pastel de nata antes dir dormir
- uma fartura ao lanche
- 2x batata frita ao jantar
- uma torrada à tarde (só é permitido pão ao pequeno-almoço)
- pizza HOJE (é sexta-feiraaaaaa! e vou estudar até tarde)

Não sei se já emagreci... sinceramente não noto nada e até que passem uns 15 dias não me vou pesar mas sinto-me orgulhosa da minha força de vontade!

Do medo

Dizia um comentador há minutos na SICNoticias e muito bem, que como seres racionais que somos, tentamos sempre entender o desconhecido, atribuir-lhe significado e, nesse sentido, damos rosto ao medo, seja uma cultura, uma raça ou uma religião.
Eu quero ser Assistente Social, como bem sabe quem visita este espaço e me lê e estou a estagiar com refugiados e emigrantes ilegais. Se alguns encarnam o clichet de ignorantes, mão de obra barata e deliquentes, outros são licenciados e olham-me sob o clichet da portuguesa que seguramente tem pernas peludas, estima o seu buço e bate no marido malandro com o rolo da massa.
Pessoas são pessoas e são Únicas!
Portanto eu nunca defenderei guerra entre nações, pelo simples facto de que para mim não existe tal coisa. Somos pessoas, com sentimentos, muito mais semelhantes do que queremos admitir.
Contudo, depois DESTA noticia, mais uma em tão pouco tempo, confesso que sinto a necessidade de fazer algo. Uma III Guerra Mundial seria o fim do Mundo tal como o conhecemos, afinal a tecnologia bélica actual e as armas quimicas estão desenvolvidas de modo inacreditavel e a niveis que nem sabemos bem. Fechar fronteiras e queimar mesquitas, tornar-nos-ia igual a eles e, sobretudo, cegos pela ignorancia. Recuso-me a tratar o outro, o espelho de mim que apenas foge da guerra, como inimigo, como parasita que merece ser pisado só porque vem de uma cultura ou país onde uns quantos são monstros.
E se fossemos nós? Acaso os portugueses não emigraram também quando sentiram fome, o peso da censura, a dificuldade em criar os seus filhos num país livre? E temos a sorte de nunca termos passado por uma guerra a sério.
No entanto, acho sim que algo deve ser feito, de preferencia no terreno. Se antigamente soube bem a alguns invadir o Iraque alegando que se salvaria aquele povo da ditadura (motivos reais à parte) porque não intervir na Síria agora? Porque não invadir e controlar, ajudar o povo, aqueles pais que há meses, perante a chegada do Daesh a uma cidade nova, publicavam nas redes sociais que iriam matar as suas filhas para as poupar à escravatura sexual?

Vamos ser realistas por mais assustador que isso seja: por mais que hoje mesmo se fechassem as fronteiras e se deportassem pessoas com base na sua religião ou arvore genealogica, há cada vez mais meninas dinamarquesas loirinhas a fugir de casa, esfaqueando os pais para se unirem ao Daesh. O mal existe por si só, as ideologias difundem-se num mundo tão global e tecnologico como o nosso. Até o Hitler foi eleito democraticamente! O Trump ganhou legalmente em pleno século XXI. Portanto... o mal não está no islão nem nos sirios, está dentro de cada um, em todo o lado e isso, minha gente, é a mensagem que o Daesh quer passar depois desta semana e conseguiu: eles controlam, não há rosto e não estamos seguros em nenhum lado. E a solução? Não há. É como tentar prender o vento.

Eu claramente tenho medo. Medo de estar no metro e perder a vida, de explodir no Campus Universitário, de estar em guerra e não ter o que comer, de ser violada e raptada e, muito importante, dos europeus serem tomados pela ignorancia e odiarem cegamente.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Do último post

Bom, é quando contas toda esta história louca aos teus amigos, uns te julgam mais louca que outros mas ainda assim, te dão esta prenda de anos atrasada:


Ontem ganhei a noite! E definitivamente esta seria uma viagem a ser ponderada...

De Itália III

Pádua

Houve 2 momentos que se destacaram de toda a minha viagem de 3 semanas pelo norte de Itália, sozinha e um deles, o mais marcante, foi em Pádua.
Inicialmente, a primeira impressão não é muito estimulante. É uma cidade pequena, com poucas pessoas, alguma emigração, prédios mais feios e degradados, pessoas mais fechadas. Passei um dia tranquilo, vi algumas coisas, sem pressa, sentindo que também não haveria muito para ver. Recomendo vivamente a Capela Scrovegni, com uns belissimos frescos do Giotto. Foi a surpresa artistica de Pádua!








Já ao fim do dia, um amigo mandou-me uma sms emblemática, "Não saias daí sem ver o St António. E trás o gajo que ele ficou perdido por essas bandas". Não entendi. Perguntei-lhe ao que se referia e lá me disse, muito sucintamente, que o famoso St António de Lisboa, o das sardinhas, festas, noivas e manjericos, estava enterrado em Pádua. Não dei muita importancia à coisa, afinal não tenho motivos para adorar um santo casamenteiro e nem sequer sou católica. Mas por curiosidade lá decidi ir ver a igreja dele. E tinha de ser breve porque em 30min partia o meu ultimo comboio para Verona. Mas eis que tudo mudou e tive de ligar para Verona a desmarcar o hostel.
Entrei naquela igreja enorme, colorida, sem talhas douradas, sem o ar assustador e pesado que caracteriza todas as igrejas e... desatei a chorar. Não sei que aconteceu, mas chorei. Serenamente, sem expressão, as lágrimas caiam e caiam. Sentei-me um pouco para me recompor, sem entender que se passava comigo. Depois, mais calma, lá prossegui a visita, vi a lingua exposta (parece que quando desenterraram St António, o corpo estava já decomposto mas a lingua intacta, considerando-se milagre e sinal de que proferia de facto as palavras de Deus em vida). Encontrei um padre português, da Covilhã com quem conversei um pouco e fui para o hotel, com a sensação gritante, uma certeza interior, de que deveria voltar no dia seguinte. Assim fiz.


Voltei, dia 15 de fevereiro. A igreja estava cheia. Nas capelinhas laterais estavam a acontecer inumeras actividades e eu parei diante de uma muito pequena onde, em grupos de 7 ou 8 pessoas, se ia dando a benção em latim. Eu estava cá atrás, a observar os frescos, quando o padre me chamou. Todos me olharam. Até eu pensei que fosse engano. Chamou-me, olhou-me com estranheza, deu-me a mão, perguntou-me de onde era. Assim que respondi Portugal, tambem ele falou português. Ao que parece durante 10 anos foi capelão do IPO de Coimbra. Aproveitou para contar a todos os presentes que St António era portugues e como foi toda a sua jornada até Pádua. Conheci assim a sua biografia (que já agora, nada tem a ver com casamentos). Soube que dia 15 de fevereiro era um dia santo por ser o aniversário do seu desenterramento e era designado "Dia da Lingua". Depois disse-me que eu tinha uma alma diferente e deu a missa de mão dada comigo. Despediu-se pedindo-me um abraço e desejando-me toda a sorte do mundo.
E benzeu-me, claro. Duas vezes. Não sei porquê. Trouxe de lá um fio de prata abençoado com uma medalhinha que agora tenho sempre ao pescoço. A partir de aí toda a minha viagem mudou e não voltou a ser a mesma. Tive outros "encontros" estranhos com St Antonio, conheci outros religiosos que vinham ter comigo por temas relacionados a ele, recebi inumeros sinais, tive uma má atitude com umas pessoas e perdi a medalha (a qual apareceu 12h depois colada à minha pele, no peito, depois de eu ter tido uma atitude muuuito boa com um desconhecido... coincidencia? E nessas 12h já eu tinha tomado banho, dormido, mudado de roupa... era impossivel a medalha estar ali). Numa igreja franciscana em Ravenna, inundada, com peixinhos, quando me aproximei e olhei a água todos os peixes vieram ter comigo. Os outros turistas intrigados tiraram imensas fotos e veio um Sacerdote dizer-me, do nada, que eu parecia o St Antonio no seu sermão aos peixes (cabeça a minha... nunca tinha associado que o St António também era ESSE St António). Sendo que o meu signo também é peixes e peixes é o primeiro simbolo cristão usado na época de Jesus. O meu próprio nome tem uma origem latina única e religiosa.


Ok... agora estarei a ser julgada por quem lê isto, achando-me louca, possivel cartomante e esquizofrenica. Eu, zero cristã, também me tenho questionado muito sobre tudo isto, sobretudo depois de outras coisas fortes que me aconteceram e prefiro não partilhar. Dizem os meus mestres de Reiki que o St António poderá ser meu guia, que poderemos ter energias parecidas e atraimo-nos naquele local onde repousam os seus restos mortais ou que noutra vida nos conhecemos. Eu não sei, a espiritualidade e a religião têm muitas vertentes. Só sei que depois disto estou aberta a novas percepções e tornei-me atenta a este Santo, cada vez mais curiosa para descobrir mais e mais, sobretudo a minha ligação com ele.